Autoconsciência privada, autorreflexão e insight como reguladores do consumo de álcool entre jovens e adultos

Nome: Cristyan Karla Nogueira Leal
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 01/06/2017
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Mariane Lima de Souza Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Elizeu Batista Borloti Examinador Interno
Mariane Lima de Souza Orientador
Thiago Gomes de Castro Examinador Externo

Resumo: O álcool é a droga lícita mais consumida no Brasil, cujo abuso, principalmente entre jovens,
tem potencializado a ocorrência de danos e prejuízos para indivíduos e sociedade, configurando
um problema social. Fatores ambientais e individuais podem agir nos indivíduos de forma
protetiva ou tornando-os mais vulneráveis ao consumo prejudicial e às consequências, direta
ou indiretamente, a ele associadas. Entre os fatores individuais, a autoconsciência privada
enquanto tendência ou disposição humana de focar a atenção nos próprios pensamentos,
sentimentos e comportamentos pode constituir uma capacidade metacognitiva relevante no
processo de regulação comportamental. Com o intuito de mensurar essa capacidade, a Escala
de Autorreflexão e Insight (EAI), instrumento de avaliação psicológica, afere duas dimensões
da autoconsciência privada, a autorreflexão e o insight. Enquanto a primeira dimensão avalia a
habilidade reflexiva e de automonitoramento dos indivíduos, a segunda explora o entendimento
claro do que se sente e vivencia e das razões para comportar-se de determinado modo. No
contexto brasileiro, apesar de o consumo de álcool ser um fenômeno sociocultural importante
e extensamente investigado, ainda não se encontravam dados publicados que explorassem a
sua relação com a autorreflexão e o insight. Considerando essa janela investigativa, esta
dissertação se organizou e apresenta seus principais resultados em dois artigos científicos. O
primeiro deles refere uma revisão sistemática de estudos empíricos que aplicaram a EAI,
publicados entre 2002 e 2017, recuperados a partir das bases de dados disponíveis no Portal de
Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). De
modo prevalente, os estudos verificaram que o insight associou-se a reações emocionais,
cognitivas e comportamentais saudáveis e adaptativas, e a autorreflexão mostrou-se
inconstante, relacionando-se a reações ora benéficas, ora prejudiciais ao desempenho
cognitivo, ao bem-estar físico e psicológico, e às interações sociais dos indivíduos. Os dados
levantados indicaram que a autorreflexividade dispara o ciclo de autorregulação, mas o insight
é fundamental para o seu progresso equilibrado. O segundo artigo reporta os resultados de um
estudo de abordagem quantitativa conduzido com jovens e adultos de 20 a 39 anos, escolhidos
como população-alvo por integrarem as faixas etárias mais propensas ao consumo abusivo e à
adoção de comportamentos de risco, segundo estatísticas. Participaram 523 brasileiros, com
cursos de graduação e/ou pós-graduação, que responderam, além da EAI, o teste AUDIT para
verificação de padrões de ingestão de bebida alcoólica. Os resultados mostraram que mulheres
apresentam níveis mais elevados de autorreflexão, enquanto homens, de insight. No que se
refere ao consumo de álcool, homens relataram beber mais frequentemente e de maneira mais
intensa do que mulheres. A autorreflexão e o insight apresentaram correlação negativa
estatisticamente significativa com o consumo de álcool indicando que, também nesse contexto,
podem atuar como reguladores do comportamento. Diferenças quanto à intensidade da
correlação entre as variáveis investigadas nos participantes agrupados por gênero e faixas
etárias e a possível influência de fatores ambientais que enfraqueceriam ou modificariam essa
correlação foram discutidas.

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