Silêncios em Liberdade Assistida: Entre Governamentalidades e Estratégias de Vida

Nome: LIVIA PIGNATON CASER
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 11/04/2014
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
ANA PAULA FIGUEIREDO LOUZADA Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
ANA LUCIA COELHO HECKERT Examinador Interno
ANA PAULA FIGUEIREDO LOUZADA Orientador
ESTELA SCHEINVAR Examinador Externo

Resumo: Essa pesquisa visou traçar e problematizar atravessamentos que se colocam para profissionais do Creas na atuação em medidas socioeducativas em meio aberto, Liberdade Assistida. Através das falas levantadas nesse campo, buscou-se localizar e intensificar entrelaçamentos e linhas na riqueza de diferentes facetas e momentos, ou seja, traçar mapas de forma dar corpo a ressonâncias com diferentes tempos e territórios. Constatou-se, então, a presença de emaranhados amplos de problemas no dia-a-dia da Liberdade Assistida, entretanto, que não são só específicos desse campo, mas que também se propagam por outros profissionais, programas e propostas de serviços de Estado. Diante disso, buscou-se traçar análises com auxílio de autores, principalmente de Foucault e Agamben, de forma a entrelaçar o que se encontrou nas falas dos técnicos, sobre as ações diárias de encontro com adolescentes em cumprimento de liberdade assistida e suas famílias, com conceitos como de governamentalidade, biopolítica, judicialização. Dessa forma, textos e propostas metodológicas presentes nessas falas sobre objetivos e ações da Assistência Social e da Liberdade Assistida pedem por problematizações. Para intensificar o olhar crítico sobre esse campo, foi feito um breve levantamento histórico sobre como conceitos de infância e família são utilizados nas estratégias de intervenção governamental da população e como que a partir da construção de certos padrões de normalidade no cuidado com a infância ao longo da história das estratégias sócio-assistenciais do Brasil intensificaram relações e práticas de desigualdade que ainda se presentificam nos serviços e práticas hoje. Esse levantamento também permite questionar como algumas informalidades são colocadas como ilegalidades e estigmatizadas, ao mesmo tempo em que outras se consolidam nas práticas governamentais que atuam de acordo com as conveniências e interesses de mercado. A partir disso, percebe-se de que forma práticas e discursos dos profissionais que atuam no campo da Liberdade Assistida operam como artes de governo na manutenção dos interesses de mercado neoliberal consolidando controle e vigilância populacional. Além disso, a pesquisa encontrou ampla riqueza de temas, entrelaçamentos importantes no dia-a-dia do trabalho com liberdade assistida, todos com de ampliação de debates mas que, por interesses dessa mesma lógica de mercado, não são escutados e visualizados, uma vez que desafiam as próprias práticas e estratégias de governamentalidade.

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