"ASPECTOS PSICOSSOCIAIS NO COTID DOS HIPERTENSOS: UM ESTUDO SOBRE A DESCONTINIDADE DO TRATAMENTO EM PACIENTES PERTENCENTES AO PROGRAMA PARA CONTROLE DA HIPERTENSÃO ARTERIAL - UFES

Nome: NAGELA VALADÃO CADE
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 25/11/1996
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
MARIA DE FATIMA QUINTAL DE FREITAS Orientador

Resumo: O perfil das doenças no Brasil e no mundo tem se modificado, direcionando-se para o aumento das doenças cardiovasculares, dentre as quais podemos considerar a hipertensão. É uma afecção crônica e como tal apresenta caráter permanente e a literatura tem abordado sobre a existência de baixa adesão ao tratamento farmacológico e não farmacológico pela dificuldade dos indivíduos adquirirem e/ou manterem comportamentos voltados para seu controle. Baseado neste fato objetivou-se levantar os aspectos psicossociais presentes na descontinuação do tratamento, por entender que estes interferem nos comportamentos emitidos considerando a característica interativa do ser humano com seu meio ambiente. É um estudo exploratório, no qual foram entrevistados 30 sujeitos que deixaram de comparecer ao Programa para Controle de Hipertensão Arterial (PCHA) desenvolvido no Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes, em Vitória-ES, e seis sujeitos que continuavam frequentando-o. Os dados foram analisados pelo método de análise de conteúdo, utilizando categorias não definidas a priori. A análise compreendeu a caracterização pessoal e familiar dos sujeitos, a concepção de saúde e doença, o conhecimento sobre a condição de ser hipertenso, a emissão de comportamentos de saúde voltados para a hipertensão, a expectativa ao atendimento médico e de enfermagem e os motivos do não comparecimento ao PCHA. Os resultados mostraram que a concepção de saúde-doença e as práticas realizadas para o controle da hipertensão estão de acordo com as condições que permeiam a vida dos sujeitos e com a forma de enfrentá-las, diferindo do pensamento dos profissionais de saúde. Constatou-se que fatores psicossociais como a concepção de saúde-doença, as expectativas frente à saúde e aos profissionais, a motivação para a realização dos comportamentos de saúde, os problemas do cotidiano, a forma de enfrentá-los e toda a carga afetiva que acompanha estes fatores, constituem-se em condições de risco para a hipertensão, a partir do momento em que determinam os comportamentos que se relacionam diretamente com esta doença, bem como a forma como os sujeitos a enfrentam. Desta forma, sugere-se que a terapêutica dos portadores de afecções crônicas, aqui representada pela hipertensão, deva voltar-se para um processo educativo que se comprometa com as problemáticas que sugem a partir dos sujeitos.

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