O COTIDIANO DE UMA EQUIPE DO PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA: UM OLHAR GENEALÓGICO SOBRE O CONTROLE SOCIAL

Nome: Maristela Dalbello de Araujo
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 23/05/2005
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Angela Nobre de Andrade Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Angela Nobre de Andrade Orientador
Maria Amélia Lobato Portugal Examinador Externo
Maria Luisa Sandoval Schmidt Examinador Externo
Rita de Cássia Duarte Lima Examinador Interno
Sonia Regina Fiorim Enumo Examinador Interno

Resumo: Esta pesquisa investiga uma prática social desenvolvida no âmbito da Saúde Pública, o Programa de Saúde da Família, por meio da avaliação genealógica do trabalho de uma equipe do município de Vitória-ES. Analisa as possibilidades de mudança formuladas por essa nova estratégia de assistência, como a criação de vínculos entre os profissionais e a comunidade e o incentivo à participação comunitária no planejamento e execução das ações. Atribui especial atenção ao embate entre os saberes científico e popular, que se materializa em condutas e discursos, tanto por parte da comunidade quanto dos profissionais. Assinala as circunstâncias em que as ações contribuíram para um aumento da autonomia por parte da comunidade, indicando a maximização das formas de controle social da população sobre as ações de saúde ou, ao contrário, ocasiões que se orientam no sentido da submissão aos saberes especialistas. Os dados foram obtidos por meio de observação do trabalho cotidiano, nove entrevistas individuais com os profissionais de saúde, sete entrevistas coletivas com os agentes comunitários de saúde e oito entrevistas coletivas com a população adscrita. Avalia que as possibilidades de ruptura com o modelo convencional de assistência e aproximação com a comunidade estão dadas. Existe um inegável esforço, por parte dos profissionais, na construção de vínculos e na realização das Ações Básicas de Saúde. Porém, as dificuldades para que a população efetivamente participe da promoção da saúde são inúmeras. Uma delas é a ênfase nas orientações para a modificação de comportamentos, tidos como de risco, sem que haja uma discussão dos aspectos ambientais e sociais subjacentes à sua construção social. Tal perspectiva, calcada na responsabilização individual, contribui para despolitizar o conceito de saúde e obstaculiza a construção da autonomia por parte da comunidade. Existem também entraves de ordem organizacional que dizem respeito a: resistências por parte das corporações profissionais, especialmente da corporação médica; inadequação e alta rotatividade dos recursos humanos, devido, em grande parte, à formação profissional que não fornece subsídios para as exigências dessa tarefa; verticalização das prioridades, o que contribui para a despotencializar as inovações de caráter local; aumento dos mecanismos de controle sobre as tarefas e ausência de espaços de troca e reflexão sobre o trabalho. Esses aspectos organizacionais têm produzido a sensação de impotência, frustração e sofrimento entre os profissionais. Indica a necessidade de criação dos espaços coletivos, nos quais possam ocorrer a reflexão e explicitação de interesses divergentes, com a participação da comunidade e dos profissionais. Ressalta que esse compartilhamento, praticado cotidianamente, contribui para a construção um novo senso comum, resultado do amálgama das ordens médicas e dos sentidos atribuídos ao cuidado pela população e, também, para a invenção de uma nova forma de existência que toma a autonomia e a solidariedade como guia. Finalmente, afirma a necessidade de que a formação em Psicologia volte-se para essas problemáticas de maneira que os novos profissionais estejam habilitados para os desafios postos pelo PSF e possam explicitar a direção de suas intervenções profissionais.

Palavras-chave: Psicologia da saúde. Programa de Saúde da Família. Saúde e trabalho.

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