PISTAS SOBRE A AUTONOMIA E PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO DAS JOVENS QUE RESIDEM EM REPÚBLICAS PÚBLICAS DA GRANDE VITÓRIA
Nome: KATYELLY DE JESUS SANTOS
Data de publicação: 26/02/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| JANAINA MARIANO CESAR | Examinador Interno |
| LUZIANE DE ASSIS RUELA SIQUEIRA | Presidente |
| MARIA CRISTINA VICENTIN | Examinador Externo |
Resumo: A República de jovens é uma política pública que visa acolher as jovens advindas do
acolhimento institucional, após elas completarem a maioridade. O presente estudo busca
pensar este serviço através da escuta de narrativas das usuárias que passaram por este
serviço. A aposta está em colocar em questão as práticas por meio do relato das jovens,
compreendendo de que forma este serviço tem contribuído para a produção de autonomia.
O recorte da pesquisa envolve questões de gênero, classe e raça. Foram realizadas
entrevistas individuais por meio da cartografia, deste modo, duas jovens foram escutadas
em suas narrativas de vida que envolvem o percurso na República. Houve a
disponibilização de um roteiro prévio de perguntas semiestruturadas, de modo que elas
puderam pontuar o que pensam e ir além do que estava prescrito. Esta pesquisa-intervenção
visa contribuir para a produção de autonomia através do ato de dizer sobre si, assim, as
jovens que passaram por diversos serviços de acolhimento institucional contaram suas
histórias e puderam elaborar por si próprias o que querem dizer em seus relatos de vida.
Este modo de aposta em escuta na pesquisa-intervenção, propõe, portanto, contribuir para
a própria produção de autonomia das jovens no ato de elaboração conjunta da pesquisa,
pensando a instituição e o que desejam para si, reafirmando a importância de escutar as/os
usuárias/os do serviço público mediante qualquer trabalho que se destina a atendê-las/os.
Também foi realizada a escuta da profissional responsável pela fundação da República na
qual as jovens entrevistadas residiram, sendo este o único registro do percurso inicial deste
local. Considera-se, portanto, a escuta como algo fundamental, entretanto, a escuta da qual
se fala nesta pesquisa é sensível, intersetorial e bem posicionada, de modo a romper com a
ideia de neutralidade em qualquer intervenção realizada em políticas públicas. A autonomia
referida também diz respeito a um conceito ampliado que considera o fortalecimento
coletivo como via para a ampliação das possibilidades de vida dos sujeitos e não a ideia
capturada pelo capitalismo de meritocracia individualista. Estes conceitos também foram
pensados revisitando a história das infâncias, juventudes, bem como das políticas públicas
para ampliar a compreensão dos jogos de forças atuantes na assistência social. Através do
relato das entrevistas e do ato de revisitar a história, podemos elaborar um recorte
cartográfico dos processos de subjetivação que envolvem as relações dessas jovens nas
instituições e no meio em que vivem no singular percurso de construção das autonomias
das jovens que residem em Repúblicas da Grande Vitória, considerando os desafios
vivenciados e potencialidades que contribuem para produzir vida.
