Desenvolvimento de Crianças com Transtorno do Espectro Autista pelo Battelle developmental Inventory, 2nd Edition: um Estudo Comparativo Com Crianças Típicas

Nome: Carolina Garcez e Silva
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 29/03/2019
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Ana Cristina Barros da Cunha Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Ana Cristina Barros da Cunha Orientador
Kely Maria Pereira de Paula Suplente Interno
Luciana Bicalho Reis Suplente Externo
Mylena Pinto Lima Ribeiro Examinador Externo
Rosana Suemi Tokumaru Examinador Interno

Resumo: O desenvolvimento humano é um processo contínuo de mudanças cumulativas ao longo do ciclo da vida, as quais ocorrem de acordo com a interação entre o organismo e o ambiente. Entretanto, existem indivíduos que apresentam uma trajetória desenvolvimental diferente da comumente encontrada, como as pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Crianças com TEA têm um desenvolvimento em sequência evolutiva atípica, com áreas e domínios do desenvolvimento não integradas entre si. Considerando a importância da avaliação do desenvolvimento para o planejamento e monitoramento da intervenção para esta população, além da lacuna de ferramentas de avaliação adaptadas para o Brasil, o objetivo dessa Dissertação de Mestrado foi analisar a viabilidade do Battelle Developmental Inventory 2nd Edition (BDI-2) para avaliar crianças com TEA e da versão adaptada do Battelle Developmental Screening Test (BDIS-BR) para o Brasil para o rastreio do desenvolvimento de crianças brasileiras com autismo de 24 a 59 meses de idade. Baseado nesse objetivo, foram realizados dois estudos. O Estudo 1 foi uma revisão integrativa da literatura sobre estudos que adotaram o BDI-2 com crianças com autismo a fim de discutir sua viabilidade para essa população. Cinco bases de dados foram utilizadas para selecionar 20 artigos, que foram analisados pelo país e ano de publicação, delineamento, amostra, objetivos do estudo, e considerações dos autores sobre o uso do BDI-2 com crianças com autismo. A maioria dos estudos eram norte-americanos que, adotando delineamentos descritivos quantitativos (n=18), usaram o BDI-2 para investigar relações entre variáveis do desenvolvimento e o desempenho da criança no teste. Os autores consideraram o BDI-2 como um instrumento com excelente nível de consistência interna, confiabilidade teste-reteste aceitável e boa validade convergente e sensibilidade para avaliar marcos do desenvolvimento para rastrear e diagnosticar populações específicas. Esta revisão conclui que o BDI-2 é útil para avaliar o desenvolvimento de crianças com TEA, mas estudos sobre ele ainda são necessários no Brasil. O objetivo do Estudo 2 foi analisar a viabilidade da versão adaptada do BDIS para o Brasil, o BDIS-BR, comparando o desempenho de crianças brasileiras com TEA com o de crianças com desenvolvimento típico de 24 a 59 meses de idade, e avaliando o desempenho da criança com TEA e seus escores na Childhood Autism Rating 6 Scale (CARS). Análises estatísticas mostraram que houve diferença significativa entre os dois grupos para o escore total (M=90,5, para o grupo TEA; M =128, para o grupo típico), assim como para todos os domínios do BDIS-BR. Correlações negativas significativas entre os escores das crianças com TEA na escala CARS e no BDIS-BR foram encontradas para o escore total (r=- 0,438) e para os domínios Adaptativo (r=-0,537) e Cognitivo (r=-0,452). Os achados deste estudo sugerem que o BDIS-BR é um instrumento de avaliação viável para o rastreio do desenvolvimento de crianças brasileiras com TEA, pois diferenças significativas entre os grupos de crianças com TEA e com desenvolvimento típico foram encontradas, como os resultados do Estudo 1 e o estudo original do BDI-2 já haviam confirmado. Essa viabilidade do BDIS-BR também foi confirmada pelas correlações negativas significativas encontradas entre os resultados desse instrumento e da CARS. Entretanto, é importante propor novos estudos com essa ferramenta de avaliação com faixas etárias diferentes para confirmar seu potencial de uso em dispositivos públicos e privados de saúde e de educação no nosso país. Conclui-se que o BDIS-BR é um instrumento inédito e viável para o rastreio e acompanhamento do desenvolvimento de crianças com TEA, com potencial de uso por profissionais de saúde e educação, assim como por pesquisadores que estudam sobre o desenvolvimento de populações atípicas.

Palavras-chave: desenvolvimento infantil; Transtorno do Espectro Autista; avaliação do desenvolvimento; Battelle Developmental Inventory 2nd Edition.

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