POVOS DO CAMPO, DAS FLORESTAS E DAS ÁGUAS: Um estudo psicossociológico
sobre práticas sociais de saúde em uma comunidade rural no estado do Espírito Santo
Nome: RONEY BORGES DE OLIVEIRA
Data de publicação: 27/06/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| LUIZ GUSTAVO SILVA SOUZA | Examinador Externo |
| MARIANA BONOMO | Presidente |
| SABRINE MANTUAN DOS SANTOS COUTINHO | Examinador Interno |
Resumo: As ruralidades brasileiras são diversas, assim como seus modos de vida e expressões culturais,
suscitando no âmbito da Psicologia a emergência da Psicologia Rural. No setor da saúde, essas
diferentes populações são referidas como Povos do Campo, das Florestas e das Águas. Elas
demandam atenção à saúde conforme suas particularidades e determinantes sociais, cujas
práticas populares de saúde têm sido debatidas pela literatura científica e políticas públicas, tem
em vista a necessidade de seu reconhecimento e valorização. Orientada pela abordagem
sociogenética da Teoria das Representações Sociais, esta pesquisa teve como objetivo analisar
as práticas populares de saúde entre famílias de uma comunidade rural no estado do Espírito
Santo, a partir do campo teórico-conceitual das práticas sociais. As estratégias metodológicas
utilizadas seguiram os fundamentos da abordagem qualitativa, a partir dos recursos da pesquisa
participante. A coleta dos dados foi realizada através dos procedimentos das entrevistas em
profundidade e da observação participante, tendo como instrumentos um roteiro aberto e o
diário de campo do pesquisador. Participaram do estudo 33 moradores e profissionais de saúde
do território rural, e os dados foram tratados conforme estratégias da análise de conteúdo e da
análise temática. Os resultados permitiram identificar o contexto sociocultural das famílias
fortemente vinculado à natureza, à religiosidade, à dinâmica comunitária e às tradições locais,
bem como transformações socioambientais provocadas por grandes empresas impactando a
qualidade de vida e saúde das famílias. As experiências de saúde e doença revelaram um
conjunto de práticas associadas, desde as populares (como uso de chás e plantas medicinais,
hábitos alimentares, benzimento e expressões da fé) a práticas formais, que se referem ao acesso
a dispositivos científicos e institucionais de saúde. A análise dos resultados evidenciou a
articulação entre saberes populares, religiosos e científicos na construção de práticas sociais,
permitindo reafirmar a potência dos saberes e práticas locais e de políticas públicas sensíveis
às dinâmicas socioculturais do território para um cuidado em saúde emancipatório.
