Das marcas (in)visíveis: a violência psicológica contra a mulher, sua correlação com o trauma complexo e o desencadear de desfechos positivos
Nome: NOHANA EMANUELLY CASSIANO DA SILVA
Data de publicação: 30/09/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ARIELLE SAGRILLO SCARPATI | Examinador Externo |
| SABRINE MANTUAN DOS SANTOS COUTINHO | Examinador Interno |
| VALESCHKA MARTINS GUERRA | Presidente |
Resumo: As violências surgem nos mais diversos contextos e nas mais diversas relações, estas que em
sua maioria são permeadas pelas relações dispares de poder, sendo berço para as violências de
gênero e sendo manifestada em um âmbito familiar que, idealmente, prevê confiança.
Compreendida na literatura como o prelúdio das demais violações, a violência psicológica se
encontra presente desde o início do desenvolvimento, tornando-a então, uma problemática
social e epidemiológica. Por conseguinte, seus danos podem ser extensos e agravados até a
adultez, podendo, por vezes, resultar em quadros complexamente traumáticos. No entanto,
através dessas adversidades, mudanças positivas podem surgir a partir do enfrentamento e
compreensão do evento estressor. A presente dissertação é composta por dois estudos
complementares, que buscaram analisar a relação entre violência psicológica, trauma
complexo, autocrítica e o potencial de crescimento pós-traumático. O primeiro estudo, de
abordagem quantitativa, teve como objetivo investigar os correlatos sociodemográficos da
violência psicológica e verificar sua associação ao quadro de Trauma Complexo/Transtorno de
Estresse Pós-Traumático Complexo (TEPT-C) e a formas de autocrítica. Participaram deste
estudo 154 mulheres de diferentes regiões do Brasil. Os dados revelaram uma correlação
positiva e significativa entre a experiência de violência psicológica e o desenvolvimento de
TEPT-C, bem como o aumento de níveis de autocrítica de inadequação. A pesquisa indicou
que, quanto maior a exposição a estratégias de abuso psicológico, maior a intensidade dos
sintomas de TEPT-C, afetando a autoimagem, o funcionamento interpessoal e a regulação
emocional das vítimas. Além disso, marcadores sociodemográficos como estado civil e renda
mostraram ter um impacto significativo na vivência da violência. O segundo estudo, de
abordagem qualitativa, teve como objetivo analisar através de relatos das vítimas de violência
psicológica, a possibilidade do desenvolvimento de Crescimento Pós-Traumático (CPT). Ele
aprofundou o estudo quantitativo ao explorar a singularidade das experiências das participantes. As narrativas revelaram que as marcas da violência psicológica são atemporais e
estão enraizadas em experiências de infância. Contudo, as narrativas também apontaram para
um processo de crescimento pós-traumático, que, embora não linear, inicia-se com o
reconhecimento da dor e do sofrimento. As participantes demonstraram um movimento de
busca por recursos internos e externos para reconstruir suas vidas, transformando o
enfrentamento das violências em um potencial para mudanças duradouras. Em suma, a
pesquisa como um todo reforça a necessidade de compreender a violência psicológica em sua
multidimensionalidade, considerando suas consequências, mas também levando em
consideração o potencial de crescimento mesmo diante de vivências traumáticas.
