O PODER E A ÉTICA NOS PROCESSOS PSICODINÂMICOS DE PRAZER E SOFRIMENTO NO TRABALHO: UM ESTUDO A PARTIR DOS MAGISTRADOS TRABALHISTAS
Nome: WANESSA BORGES DE MENDONCA
Data de publicação: 28/10/2025
Banca:
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Papel |
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| THIAGO DRUMOND MORAES | Presidente |
Resumo: Esta pesquisa analisou como as categorias “poder” e “ética” podem se articular à teoria e o método da Psicodinâmica do Trabalho (PdT), contribuindo para compreender os processos de prazer e sofrimento no trabalho de magistrados(as) trabalhistas do Tribunal Regional do Trabalho do Espírito Santo. O referencial teórico e metodológico adotado combinou a PdT (Dejours, 2000) com a abordagem foucaultiana do poder, resistência, subjetivação e ética - cuidado de si. O percurso metodológico incluiu etapas de pré-pesquisa, pesquisa e validação/refutação, com observação, entrevistas, escutas coletivas e diários de campo. A análise hermenêutica foi inspirada na PdT, para a interpretação dos dados advindos das etapas de pré-pesquisa e pesquisa. Em paralelo, foi realizado estudo exploratório com a escuta individual de trabalhadores do consulado do Brasil em Nova York (diplomatas, oficial e assistente de chancelaria e trabalhadores locais, contratos no país estrangeiro), o que se mostrou um laboratório privilegiado para ampliar o alcance empírico da tese. Na pesquisa observou-se que a convocação a agir contra os valores em nome de metas e dispositivos burocráticos expõe um impasse da PdT: compreender o sofrimento ético exige ultrapassar a oposição entre patogênico e criativo. Verificou-se, necessário articular o conceito de sofrimento às relações de poder foucaultianas, mostrando o paradoxo dos magistrados como agentes do poder estatal e, ao mesmo tempo, alvos de constrangimentos institucionais. Para tanto, fez-se necessário realizar uma inflexão metodológica, deslocando os dispositivos clínicos da PdT e incorporando as práticas de liberdade de Foucault ao método da escuta coletiva de Dejours. Tal experimento comprovou-se empiricamente, evidenciando efeitos como autoria ética, dissenso organizacional e desinstitucionalização simbólica. A partir dos resultados, sugere-se a implementação institucional de programas de escuta coletiva e oficinas de cuidado de si adaptadas à realidade dos tribunais trabalhistas, com o objetivo de fortalecer a saúde mental, autoria ética e solidariedade entre magistrados.
