DINHEIRO, INVESTIMENTO E ENDIVIDAMENTO: REPRESENTAÇÕES E PRÁTICAS DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS DE ADMINISTRAÇÃO
Nome: LUCAS MARIN BESSA
Data de publicação: 15/12/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ANTONIO MARCOS TOSOLI GOMES | Examinador Externo |
| MARIA CRISTINA SMITH MENANDRO | Examinador Interno |
| MARIA DE FÁTIMA DE SOUZA SANTOS | Examinador Externo |
| PRISCILLA DE OLIVEIRA MARTINS DA SILVA | Presidente |
| RAFAEL MOURA COELHO PECLY WOLTER | Examinador Interno |
Resumo: O objetivo do presente estudo foi analisar a relação entre as práticas e as
representações sociais dos objetos sociais dinheiro, investimento e endividamento para
estudantes ingressantes e finalistas do curso superior de Administração, comparando-os, a
partir do arcabouço da Teoria das Representações Sociais (TRS). Também, foi analisado o
processo de ancoragem das representações sociais dos objetos pelos participantes. A pesquisa
é caracterizada como qualitativa devido ao interesse de conhecer as diferentes visões de
mundo apresentadas pelos atores sociais. Participaram do estudo estudantes do curso superior
de Administração de duas instituições públicas federais de ensino localizadas no estado do
Espírito Santo. Para a coleta de dados foram realizadas três etapas: na etapa inicial, a
aplicação de questionário com intuito de conhecer as evocações dos objetos pesquisados. Na
segunda etapa, foram realizados grupos focais. Por fim, na terceira etapa, foi aplicado um
questionário confirmatório, mise-en-cause, com os participantes visando verificar a
centralidade dos objetos pesquisados. Os questionários foram compostos com perguntas
abertas e fechadas tendo em vista o interesse de coletar as evocações dos objetos pesquisados.
O grupo focal seguiu um roteiro previamente preparado com os temas dinheiro, investimento
e endividamento. Para análise dos dados, foram utilizadas a análise prototípica, análise de
centralidade (mise-en-cause), análise de similitude e classificação hierárquica descendente
(CHD) para os dados coletados por meio dos questionários. Essas análises foram realizadas
por meio dos softwares openEvoc e IRAMUTEQ. Já os dados referentes ao grupo focal foram
analisados por meio da análise temática. A partir da coleta e análise dos dados foi possível
conhecer como os estudantes representaram socialmente os objetos pesquisados: os entrantes
apresentam uma visão mais idealizada do dinheiro, enquanto os finalistas, o dinheiro é
compreendido como oriundo do trabalho. Sobre o investimento, os dois grupos o avaliam
como algo para o futuro, sendo que os entrantes o identificam como uma oportunidade para
enriquecer, porém também entendem que pode ser como um jogo em diversos momentos. Já
os finalistas o representam como algo necessário para garantir uma segurança no longo prazo.
Quanto ao endividamento, os entrantes apresentam maior percepção dos aspectos negativos
do objeto, enquanto os finalistas veem-no como algo do cotidiano, inerente à vida adulta.
Sobre o processo de ancoragem, verificou-se que entrantes e finalistas ancoraram as
representações a partir de pontos que levaram em consideração em sua experiência com os
objetos, práticas e também questões culturais. Desse modo, a família, o ambiente acadêmico,
além das experiências vivenciadas durante todo o percurso da formação do indivíduo
impactaram nas representações sociais dos objetos e na forma como o indivíduo ancora cada
um, o que necessariamente influencia na forma como planejam os recursos financeiros e
realizam suas práticas, ocorrendo mudanças no decorrer do tempo. A partir disso, ao final do
estudo foi proposto um modelo teórico compreendendo as relações entre as representações, as
práticas e as experiências. Assim, as discussões realizadas demonstraram-se importantes pois
agregaram conhecimento para as áreas de Psicologia Social e Finanças, podendo ser insumo
para auxiliar políticas públicas no tocante a instrumentalização da população sobre o uso
adequado dos recursos financeiros. Além disso, a partir das análises realizadas, observou-se
sobre a urgência da implantação de projetos de educação financeira em todos os níveis de
ensino, devendo ser customizado a linguagem e o uso de ferramentas adequadas para cada
idade e nível de conhecimento.
