O cuidado à pessoa em comportamento suicida em serviços do Sistema Único de Saúde
Nome: RAÍSA CATHERINNE CAGLIARI COSTA
Data de publicação: 20/03/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ALEXANDRA IGLESIAS | Presidente |
| LUCIANA BICALHO REIS | Examinador Interno |
| LUCIANA KIND DO NASCIMENTO | Examinador Externo |
Resumo: O Brasil vive um aumento das taxas de comportamentos suicidas. Em 2021, o país registrou mais de
15.000 mortes por suicídio, representando a vigésima sétima causa de morte nacional, no ano
referido. Diante disso, cabem questionamentos acerca da realidade encontrada nos espaços de
saúde: sobre como os serviços lidam com esses casos e quais os cuidados direcionados a este
público. Nesse sentido, o objetivo desta pesquisa consiste em compreender as ações de cuidado
direcionadas às pessoas com histórico de comportamento suicida, atendidas em serviços do Sistema
Único de Saúde (SUS). Para isso, foram feitos dois estudos: uma revisão de literatura sobre as ações
de cuidado às pessoas com histórico de comportamento suicida no contexto do SUS; e uma
pesquisa documental, que utilizou 21 prontuários de casos emblemáticos de munícipes de
Vitória-ES, disponibilizados pelos serviços, e memorandos resultantes do processo analítico na
coleta e análise destes prontuários, pela pesquisadora. Este segundo estudo objetivou conhecer as
ações de cuidado registradas em serviços dos três níveis de Atenção do SUS, a esses casos.
Tratam-se de estudos qualitativos, por proporem o alcance do entendimento de processos sociais
pouco explorados e pouco conhecidos, relacionados a grupos e/ou determinadas situações. Os dados
qualitativos oriundos dos dois estudos foram organizados separadamente com o auxílio do software
Atlas.ti, para a realização de Análises de Conteúdo dos corpus formados. As análises da bibliografia
levantada pela revisão integrativa, dos prontuários e dos memorandos da pesquisadora sinalizam
que apesar das dificuldades impostas aos serviços, ainda foi possível apreender ações de cuidado
que valorizam a singularidade e a articulação das equipes, como as “ações inventivas” geradas
durante os atendimentos, por pedido do usuário ou pela necessidade observada, contando com a
expertise e criatividade do profissional no manejo da situação. Também foram identificados
procedimentos convencionais, que correspondem às práticas tradicionais em saúde seguindo as
orientações técnicas dos serviços, como encaminhamentos, agendamentos e dispensação de
medicamentos. No entanto, embora não fosse o foco desta pesquisa, os desafios à oferta de um
cuidado integral, como problemas de infraestrutura, alta demanda, baixa remuneração e falta de
recursos, foram identificados e incluídos nas análises nos dois estudos realizados, pela relevância
desses contextos para a qualidade dos serviços prestados. No primeiro estudo, os obstáculos ao
cuidado superaram as ações de cuidado identificadas. Os casos emblemáticos do segundo estudo
não puderam ser diferenciados por meio das ações de cuidado e entraves, pela homogeneidade de
dados identificados, mas sim pela frequência desses dados nos diferentes grupos. Os casos
revelaram um perfil predominante de mulheres pardas, com conflitos familiares graves e histórico
de violência sexual, expondo a determinação social do sofrimento. Esta pesquisa, ao demonstrar as
ações de cuidado, e obstáculos, às pessoas em comportamento suicida, permite que o poder público
tenha ciência das potencialidades e dificuldades encontradas na formulação e nas práticas a esse
público, especialmente por ter traçado um perfil de usuário e verificado que os processos de saúde e
doença são atravessados por determinantes históricos de exclusão e opressão, envolvendo raça,
classe e gênero, que compõem o ser e existir dos indivíduos.
