"Não há liberdade para o sofrimento”: Saúde mental de crianças e adolescentes em
acolhimento institucional
Nome: NÁTHALLY DIAS CORDEIRO SILVA
Data de publicação: 26/03/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| IVY CAMPISTA CAMPANHA DE ARAÚJO | Examinador Externo |
| LUZIANE ZACCHE AVELLAR | Presidente |
| VLÁDIA JAMILE DOS SANTOS JUCÁ | Examinador Externo |
Resumo: A pauta da saúde mental para crianças e adolescentes (SMCA) recebeu tardiamente a
devida atenção do movimento de Reforma Psiquiátrica Brasileira (RPB), com uma herança
de práticas higienistas e disciplinantes que impõe desafios contemporâneos à consolidação de
redes intersetoriais de cuidado, particularmente no que tange ao público em acolhimento
institucional. No âmbito da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), destacam-se os Centros de
Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSij) como dispositivos estratégicos na articulação
do cuidado para esses sujeitos, cujas trajetórias de institucionalização demandam respostas
complexas de saúde mental. Nesse sentido, objetivou-se analisar os prontuários de crianças e
adolescentes em situação de acolhimento institucional atendidos em um Centro de Atenção
Psicossocial Infantojuvenil do Sudeste brasileiro entre os anos de 2021 e 2024. A pesquisa,
de caráter qualitativo, descritivo e documental, apresenta-se no formato de três estudos e um
ensaio teórico-narrativo, e a análise dos dados foi realizada por meio de estatística descritiva
e análise lexical, com o auxílio do software IRaMuTeQ. Verificou-se que as crianças e os
adolescentes acolhidos são, predominantemente, negros, do sexo masculino, e pertencentes a
famílias monoparentais de baixa renda. O volume de encaminhamentos por questões
comportamentais, sobretudo agressividade, sugere que a resposta natural dos acolhidos a uma
realidade de opressão estrutural é elevada à categoria de patologia. Identificou-se a
predominância de intervenções multiprofissionais, com especial destaque para o uso de
práticas expressivas e lúdicas. Paralelamente, observou-se o recurso sistemático a
intervenções medicamentosas, evidenciando uma coexistência de diferentes lógicas de
cuidado. Em suma, os resultados sublinham a imperatividade de uma revisão crítica dos
pressupostos que sustentam as estratégias de cuidado em saúde mental direcionadas ao
público em acolhimento institucional, enfatizando que a consolidação de um modelo de
cuidado integral depende da superação de lógicas patologizantes e da efetiva implementação
das políticas públicas vigentes.
