SERVIÇOS RESIDENCIAIS TERAPÊUTICOS EM SAÚDE MENTAL: UM ESTUDO ETNOGRÁFICO SOBRE AS MORADIAS DE CAMPINAS/SP
Nome: ALESSANDRA DE ARAUJO
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 10/12/2004
Orientador:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| MARIA MARGARIDA PEREIRA RODRIGUES | Orientador |
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| LÍDIO DE SOUZA | Examinador Interno |
| LUZIANE ZACCHÉ AVELLAR | Examinador Interno |
| MARIA CRISTINA SMITH MENANDRO | Examinador Interno |
| MARIA MARGARIDA PEREIRA RODRIGUES | Orientador |
| ZEIDI ARAUJO TRINDADE | Examinador Interno |
Resumo: Nas últimas três décadas da reforma psiquiátrica brasileira, constatamos um intenso movimento de ruptura com o chamado modelo asilar, considerado segregador, de alto custo e de baixa eficácia. Atualmente, as políticas nacionais e internacionais em saúde mental visam a diminuir o número de leitos nos hospitais psiquiátricos, além de ampliar uma rede de atenção de base comunitária e territorial, com o objetivo de promover a reinserção social e a condição de cidadania das pessoas com transtornos mentais. Os antigos moradores dos hospitais psiquiátricos, que perderam o vínculo familiar ou cuja convivência com os familiares tornou-se inviável, estão sendo transferidos para os chamados Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs). Trata-se de moradias inseridas na comunidade, destinadas a egressos de internações psiquiátricas de longa permanência, com o objetivo de reintegração social dos mesmos. O presente trabalho teve como objetivo investigar as concepções de usuários dos SRTs acerca da nova experiência de morar em comunidade extra-muros. O estudo, de tipo etnográfico, contou com a participação de 7 usuários de ambos os sexos, de três SRTs de Campinas/SP, com idades médias de 58 anos, tempo médio de internação de 35 anos e tempo de permanência na residência de 1 ano e 6 meses a 6 anos. Como fonte complementar de dados, também foram realizadas entrevistas com funcionários dos SRTs e sujeitos da comunidade onde os SRTs foram inseridos. Os dados foram classificados com base na Análise de Conteúdo, em 13 categorias analíticas agrupadas entre os seguintes temas: a) vida no hospital; b) vida na moradia e c) a vida na comunidade. Os resultados indicam o reconhecimento unânime entre os usuários que é melhor morar na casa do que no hospital, tendo sido destacados como aspectos positivos a liberdade, a tranqüilidade, a possibilidade de adquirir bens pessoais, a relação de amizade e o apoio dos colegas. Concluímos que as moradias se apresentam como um recurso promissor para essa clientela, ainda que as conquistas em relação à reinserção social e ao processo de cidadania dos usuários se apresentem como insipientes e desafiadores.
