A trajetória de um sonho: ansiedade e enfrentamento da infertilidade por casais

Nome: Livia Maria Maulaz Freitas
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 14/07/2016
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Ana Cristina Barros da Cunha Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Alessandra Brunoro Motta Loss Suplente Interno
Ana Cristina Barros da Cunha Orientador
Edinete Maria Rosa Suplente Interno
Fabiana Pinheiro Ramos Examinador Interno
Kely Maria Pereira de Paula Examinador Interno

Resumo: O desejo de ter filhos faz parte do planejamento da maioria dos casais e pode ser motivo de grande frustração quando eles se deparam com a infertilidade. A Organização Mundial da Saúde considera um casal infértil quando a gravidez não ocorre após um ano de relação sexual regular e desprotegida. Diante desse problema, o casal procura por tratamento para alcançar seu desejo de engravidar, processo que, às vezes, pode ser longo, doloroso e estressante para o casal. O objetivo deste trabalho foi estudar o enfrentamento da infertilidade por casais, investigando as diferenças entre os membros do casal com base em indicadores de ansiedade, de enfrentamento (estratégias de coping1) e da percepção do estresse relacionado. Para tanto, foi adotado um delineamento descritivo exploratório, de caráter quanti-qualitativo com amostra de conveniência. Participaram da pesquisa 7 casais com diagnóstico de infertilidade de causa feminina e masculina, que declararam relação estável há pelo menos 2 anos. Todos responderam individualmente aos seguintes instrumentos de avaliação psicológica: a) IDATE, Inventário de Ansiedade Traço-Estado, que avalia indicadores de ansiedade “traço” e “estado”; b) Inventário COPE, que avalia estratégias de enfrentamento diante de situações de estresse; e c) Inventário de Problemas de Fertilidade (IPF), que avalia a percepção do casal do estresse relacionado à infertilidade. Além desses, todos os participantes responderam a um Protocolo de Caracterização do Perfil Psicossocial, elaborado para essa pesquisa, para a identificação de variáveis sociodemográficas e psicossociais relacionadas ao enfrentamento da infertilidade. Todos os dados foram analisados quantitativamente, em termos descritivos para os dados sociodemográficos e do perfil psicossocial dos casais, e em termos comparativos para os dados de ansiedade, enfrentamento e estresse entre mulheres e homens de cada casal. Os dados também foram analisados em termos qualitativos em estudos de caso dos casais, relacionando os dados sociodemográficos e do perfil psicossocial com os indicadores de ansiedade, enfrentamento e estresse. Observou-se que a idade média foi de 31 anos para as mulheres e de 33 anos para os homens, sendo que a média de tempo de união dos casais foi de 8,9 anos. Houve grande variação na renda familiar dos casais, entre os que faziam tratamento particular e os que faziam tratamento pela rede pública de saúde. Para grande parte dos casais, a infertilidade era de causa feminina e de conhecimento dos familiares; somente um casal tinha filhos. Apenas um membro dos casais entrevistados declarou não ter religião. Ansiedade moderada foi apresentada tanto por homens quanto por mulheres, ainda que a média das mulheres tenha sido maior para ambas as dimensões (traço e estado). Sobre o enfrentamento dos casais, a estratégia “Religiosidade” foi prevalente. A estratégia de enfrentamento “Reinterpretação positiva” também apresentou alta frequência entre homens e mulheres. Relacionado ao estresse percebido diante da infertilidade, enquanto as mulheres apresentaram um valor alto no fator “Maternidade/paternidade”, para os homens todos os fatores apresentaram-se moderados, exceto em “Vida sem filhos”, com baixo estresse. Pelos estudos de caso, pode-se perceber que variáveis como idade dos casais, ter filhos, praticar alguma religião e tempo de união pareceram se relacionar à ansiedade e ao estresse no processo de enfrentamento da infertilidade para ambas as partes do casal. Discutem-se possíveis diferenças entre os membros do casal, mulheres e homens, em termos das variáveis estudadas – ansiedade, coping e a percepção de estresse –, como forma de compreender o enfrentamento do casal diante dos problemas de infertilidade e o dilema de não conseguir engravidar.

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