FREQUÊNCIA UTERINA ENQUANTO PISTA PARA SENTIR-COM VIVOS E MORTOS

Nome: GIULIANA DE PAULA OLIVEIRA

Data de publicação: 12/08/2025

Resumo: Esta dissertação propõe o conceito de frequência uterina como um disparador estético e político
para refletir sobre a relação entre o corpo e o planeta Terra, a partir de seus viventes humanos,

não humanos, vivos e mortos. A noção é desenvolvida a partir do diálogo com a psicologia pós-
junguiana de James Hillman, especialmente suas ideias sobre imagem e alma, e com o conceito

de Corpo-sem-Órgãos, elaborado por Gilles Deleuze e Félix Guattari. Logo, a discussão gira
em torno dos disparadores feminino, corpo, mediunidade e morte. A frequência uterina é
concebida como um marcador do feminino na ciência, em interlocução com pensadoras
ecofeministas como Donna Haraway, Vinciane Despret, Isabelle Stengers, Ursula K. Le Guin
e Maria Puig de la Bellacasa. Seus pensamentos contribuem para tensionar as narrativas do
Antropoceno e imaginar outras formas de nos relacionarmos com Gaia. Por meio de cartografias
e conversas intuitivas entre vivos e mortos, a frequência uterina é performada como um convite
à reflexão sobre nossa origem comum: todos viemos de um útero, assim como somos filhos e
filhas da Terra. Com Haraway, a proposta de pensar-com se desdobra em sentir-com. A partir
de seu pensamento tentacular e da criação de imbróglios, a frequência uterina se afirma como
uma reivindicação ecofeminista. Outro imbróglio criado diz respeito ao desafio à dualidade
entre vida e morte que o útero manifesta, sendo um espaço de ciclicidade e decomposição, uma
espécie de composteira, como sugerido por Haraway, que parece permitir pensar a mediunidade
e a relação com os mortos. Também com Silvia Federici, são evocadas tradições de saberes
femininos historicamente marginalizados e, em muitos casos, violentamente silenciados por
desafiarem a linearidade patriarcal que separa vida e morte. Convocar conversas com seres não
humanos e com os mortos aparece, então, como um desvio possível, prática recorrente entre
mulheres e vivenciada pelas interlocutoras desta pesquisa. Estas são mulheres com quem a
pesquisadora se formou como facilitadora de círculos, bem como participantes do Curanderia,
círculo conduzido por ela. Por fim, a frequência uterina emerge como uma aposta no cuidado
frente aos riscos de captura pelo sistema colonial-capitalista. Ela dialoga com o saber-do-corpo,
como propõe Suely Rolnik, com os desvios à feitiçaria desse sistema, como sugerido por
Isabelle Stengers e Philippe Pignarre, e como formas de resistência e reencantamento da
existência.

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