IMPACTO DA COVID-19 SOBRE O FUNCIONAMENTO PSICOSSOCIAL DE CUIDADORES DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM CÂNCER
Nome: MARINA GAIO DOS SANTOS LEAL
Data de publicação: 28/02/2024
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ALESSANDRA BRUNORO MOTTA LOSS | Presidente |
| LUZIANE ZACCHE AVELLAR | Examinador Interno |
| TATIANE LEBRE DIAS | Examinador Externo |
Resumo: Leal, Marina G.S. (Fevereiro, 2024). Impacto da covid-19 sobre o funcionamento psicossocial
de cuidadores de crianças e adolescentes com câncer (dissertação de Mestrado). Programa de
Pós-Graduação em Psicologia, Universidade Federal do Espírito Santo. Vitória, ES. pp. 131.
Familiares experimentam situações desafiadoras frente ao diagnóstico e tratamento do câncer
infantojuvenil, pois o processo de adoecimento atinge o ajustamento familiar, a disponibilidade
para manutenção dos cuidados da criança ou adolescente, com reflexo nas rotinas e
relacionamentos. O câncer pode atingir níveis elevados de distress nos cuidadores e, tendo em
vista as adversidades do período de pandemia de Covid-19, representou maior vulnerabilidade
para estas famílias. O objetivo desta pesquisa foi investigar a percepção de cuidadores de
crianças e adolescentes com câncer sobre o impacto da Covid-19, e analisar suas relações com
o risco psicossocial e distress. Cuidadores de crianças e adolescentes com câncer que foram
diagnosticados e/ou que estiveram em tratamento, em hospital de referência no Espírito Santo
(ES), durante o período de pandemia de Covid-19 (2020-2021), responderam aos instrumentos
sobre: características socioeconômicas das crianças e adolescentes (Critério de classificação
econômica Brasil [CCEB]); percepção de impacto da Covid-19 (Escala de Impacto Familiar
ao Covid-19 [CEFIS]); risco psicossocial (Psychosocial Assessment Tool [PAT 2.0]); dados
clínicos (PAT); e distress (Termômetro do Distress). Os dados processados foram submetidos
à análise estatística descritiva e inferencial. Dados qualitativos foram submetidos à análise de
conteúdo temática. Dados descritivos mostraram que as famílias se perceberam expostas à
Covid-19, referindo itens de exposição: “fechamento de escolas/creches” e “orientação para
permanecer em casa”. Houve percepção de impacto familiar, tanto positivo, como as relações
familiares e alimentação, quanto negativos, como piora no “bem-estar emocional” e “cuidar do
filho com câncer”. Dados qualitativos também evidenciaram efeitos positivos e negativos da
pandemia. A maioria das famílias apresentou classificação “alvo” de risco psicossocial, bem
como apresentou níveis de distress (p. ex., preocupação, nervosismo e dores). O impacto da
Covid-19 sobre o risco psicossocial e distress foi verificado na correlação positiva entre a
dimensão “estresse da criança” (impacto-CEFIS), e o “distress” e o “risco psicossocial”
(domínio: problemas com pacientes menores de 2 anos). Verificou-se ainda que o impacto
familiar da Covid-19, nas dimensões “exposição à Covid-19” e “estresse do cuidador”, foi
maior em crianças diagnosticadas em 2020; e o indicador “distress-cuidar da casa” foi menor
entre os cuidadores que viviam uma relação estável. Análises inferenciais não confirmaram a
hipótese de correlação entre o nível de distress e o escore total do PAT. Entretanto foram
observadas correlações positivas entre domínios das escalas, como: correlação positiva entre o
distress e problemas com pacientes; e entre distress-companheiro e problemas com irmãos,
problemas familiares e reação ao estresse. Correlações negativas entre sintomas físicos e
emocionais do distress e domínios do PAT também foram observadas. Conclui-se que o
impacto familiar da Covid-19, tal como percebido pelos cuidadores, pode representar mais
complexidade ao tratamento da doença, uma vez que afeta aspectos do bem-estar emocional e
do funcionamento psicossocial, especialmente, em famílias que podem estar em
vulnerabilidade. Sugere-se que características do contexto clínico e sociodemográfico sejam
consideradas em estudos futuros que busquem compreender as relações entre as variáveis
psicossociais do câncer infantojuvenil. Para a assistência em oncologia pediátrica, os dados
reforçam a necessidade da atenção psicossocial sistemática junto a essa população.
