O QUE PODEM AS CRIANÇAS QUANDO A MAQUINARIA CORPO-GÊNERO-SEXUALIDADE FALHA?

Nome: Laíra Assunção Braga
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 05/06/2019
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Jésio Zamboni Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Alexsandro Rodrigues Coorientador
Heliana de Barros Conde Rodrigues Examinador Externo
Ileana Wenetz Examinador Interno
Jésio Zamboni Orientador

Resumo: A criança, compreendida como sujeito da infância é, comumente, percebida e falada pela
ótica adulta, tornando-se corpos que não falam por si. Uma complexa rede, composta por
saberes médicos, pedagógicos e psicológicos funciona de modo a garantir que a relação com
as crianças continue a ser de tutela e controle, para que atendam a um projeto adulto de
civilização. A primeira atuação desses saberes consiste em fazer da criança um corpo
sexuado. Logo ao nascer, este é identificado em uma das possibilidades binárias de feminino e
masculino. Para além da identificação, um roteiro lhe é traçado como caminho coerente com
seu sexo. Buscou-se, nesta pesquisa, o encontro com crianças para que outras narrativas sobre
modos de viver o corpo possam aparecer. Não foi objetivo encontrar uma descrição do sujeito
criança, mas buscar, com elas, as brechas e escapes possíveis dentro das relações fabris de
sexos e gêneros que são investidas sobre seus corpos por regimes adultrocêntricos. A aposta
metodológica se aproximou das pesquisas com cotidianos, compreendendo que se trata de um
processo em rede, de caráter local, onde se considerou a implicação da pesquisadora e todos
envolvidos são entendidos como praticantes de cotidianos. A pesquisa teve como campo de
referência as praças públicas, mais especificamente os espaços como parquinhos e quadras de
esporte, considerando a circulação de crianças nesses locais. Entretanto, também apareceram
cenas e narrativas que se deram em outros lugares, entendendo que uma pesquisa produzida
com o vivo pode extrapolar os limites que a ciência positivista pode determinar como campo
de pesquisa. Os encontros indicaram que crianças conseguem estabelecer outras relações,
escapando da rigidez adulta, nos modos de viver o corpo e as performances de gênero. Desse
modo, conseguem expor as fragilidades dos modelos dos gêneros binários, de suas tentativas
de reprodução e naturalização sobre os corpos. Agindo taticamente, no descuido do olhar
adulto, elas se mostram capazes de, pelo riso e brincadeira, fazer questão à suposta
naturalidade dos elementos que caracterizam o feminino e masculino. Entendendo que
discursos e práticas educativas com crianças são, em sua maioria, pautados pela lógica adulta,
busca-se também, com este texto, participar do debate formativo-educacional sobre as
crianças, considerando as composições que elas próprias são capazes de produzir nos
atravessamentos entre corpo, gênero e sexualidade. Longe de pensar manuais de educação
infantil, a proposta é de um convite ao olhar para/com as crianças em suas práticas,
negociações, relações e na capacidade que possuem de viverem o corpo em suas
possibilidades, sem encerrá-lo nas identidades.Palavras chaves: Crianças; Perfomance de Gênero; Formação; Educação; Adultocentrismo

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