Coping e qualidade de vida em crianças com câncer.

Nome: Jallana Rios Matos
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 23/10/2020
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Alessandra Brunoro Motta Loss Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Alessandra Brunoro Motta Loss Orientador
Claudia Patrocinio Pedroza Canal Examinador Interno
Fabiana Pinheiro Ramos Suplente Externo
Kely Maria Pereira de Paula Suplente Interno
Tatiane Lebre Dias Examinador Externo

Resumo: O adoecimento pelo câncer e a hospitalização são eventos estressores, considerados fatores de risco para o desenvolvimento infantil, com repercussões sobre a qualidade de vida das crianças. Estratégias de enfrentamento adaptativas diante das dificuldades podem contribuir no alcance de bons indicadores de qualidade de vida. Este estudo teve como objetivo verificar as relações entre variáveis contextuais (risco psicossocial familiar, características sociodemográficas das crianças e aspectos clínicos da doença) e psicológicas (coping) e indicadores de qualidade de vida de crianças com câncer. Constituiu-se uma amostra de conveniência de 13 crianças hospitalizadas com câncer, com idade entre 6 e 12 anos (M = 7,92 anos), em tratamento no Serviço de Onco-Hematologia de um hospital público em Vitória/ES. Os cuidadores familiares também participaram do estudo respondendo o instrumento sobre o risco psicossocial familiar
(Psychosocial Assessment Tool [PAT]). As crianças responderam os instrumentos sobre as estratégias de enfrentamento (Escala de Coping da Hospitalização) e a qualidade de vida (PedsQLTM 3.0 Cancer Module). As variáveis sociodemográficas (Questionário de identificação da criança e cuidador familiar) e clínicas (Questionário sobre características clínicas da criança) também foram obtidas, por meio de entrevista com os pais e consulta aos prontuários da criança. Os dados dos instrumentos padronizados foram processados segundo suas normas, e foram realizadas análises estatísticas descritivas e inferenciais para os dados quantitativos. Verificou-se a presença de risco psicossocial familiar em nível alvo e clínico. Comportamentos de coping como “conversar”, “brincar”, “tomar remédio”, “chorar” e “sentir coragem” foram os mais referidos pelas crianças, assim como o fator “Coping adaptativo”, que apresentou maior média. As crianças referiram dificuldades com o enjoo e perceberam maior qualidade de vida nos domínios: ansiedade em relação a procedimentos e a tratamentos. Foram verificadas relações entre as variáveis clínicas, sociodemográficas e de risco psicossocial familiar e a qualidade de vida, a saber: quanto menor o número de internações para as crianças, melhor a qualidade de vida em relação a percepção da aparência física; quanto maior o tempo de diagnóstico, melhor a percepção de qualidade de vida em relação ao enjoo; o enjoo foi percebido de modo diferente pelas crianças nas fases de tratamento e manutenção; crianças mais velhas tiveram menor dificuldade no domínio da dor; crianças mais novas tiveram maiores dificuldades no domínio da ansiedade em relação a procedimentos; na presença de fatores de risco nos domínios estrutura e recursos da família e reações de estresse do cuidador, verificou-se melhor qualidade de vida em relação ao enjoo; na presença de risco psicossocial total e problemas do cuidador, verificou-se dificuldades quanto a ansiedade em relação a tratamentos; quanto maior o risco psicossocial no domínio problemas do
paciente, menor a percepção de qualidade de vida relacionada à comunicação; e quanto maior o risco no domínio problemas do cuidador, menor a percepção de qualidade de vida referente a percepção da aparência física. O coping também se relacionou com a qualidade de vida: na presença do coping adaptativo, a criança percebe menos dificuldades referentes a ansiedade em relação a tratamentos, no entanto, menor foi a percepção de qualidade de vida relativa ao enjoo. Pretendeu-se com esse estudo contribuir com uma maior compreensão a respeito do adoecimento por câncer na infância, compreendendo os fatores que podem repercutir sobre a qualidade de vida, de modo a prover a assistência psicológica apropriada no cuidado à criança com câncer e sua família.

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