COPING DE EVENTOS ESTRESSORES EM CRIANÇAS COM TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE
Nome: ELIANE MARTINS DA COSTA DEBONI
Data de publicação: 25/09/2024
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ALESSANDRA BRUNORO MOTTA LOSS | Presidente |
| FABIANA PINHEIRO RAMOS | Examinador Interno |
| MURILO FERNANDES DE ARAUJO | Examinador Externo |
Resumo: O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) se destaca por graves dificuldades
em manter a atenção e, juntamente com impulsividade e hiperatividade, pode tornar eventos do
cotidiano de uma criança diagnosticada com o TDAH, um potencial estressor. Este estudo teve
como objetivo investigar como crianças com TDAH lidam com eventos de vida percebidos
como estressores, considerando suas características cognitivas, comportamentais e o grau de
controlabilidade da situação estressora. Tratou-se de um estudo de delineamento misto, com
análise qualitativa e quantitativa, de caráter descritivo. Foi composta uma amostra de
conveniência, não probabilística, de 27 crianças com idade entre 8 e 11 anos e 11 meses, sendo
19 meninos, com diagnóstico de TDAH e em acompanhamento ambulatorial em um hospital
localizado no Espírito Santo (ES). Seus pais e/ou responsáveis participaram do estudo
fornecendo informações sobre as crianças, a partir dos instrumentos: Questionário de
caracterização sociodemográfica e clínica da amostra, Critério de Classificação Econômica
Brasil (CCEB), e Questionário de Capacidades e Dificuldades (SDQ). As crianças responderam
ao Teste Wisconsin de Classificação de Cartas (WCST) e a Entrevista sobre o coping (medida
de reações emocionais e coping em três situações: História 1 = “Sanduiche que cai no chão”;
História 2 = “Quarto que precisa ser arrumado”; História 3 = “Participar do concurso de
desenho”). Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva e inferencial, e os dados
da Entrevista sobre o coping foram submetidos à análise qualitativa. As crianças com TDAH
que compuseram a amostra deste estudo apresentaram dificuldades comportamentais em nível clínico, com destaque para a hiperatividade e problemas de conduta, mas também
comportamentos pró-sociais. O desempenho das crianças nas tarefas cognitivas indicou a
presença de erros persverativos em maior proporção do que os erros não perseverativos. Não
foram encontradas associações significativas entre as variáveis de problemas de comportamento
e funções executivas. Em relação ao coping, as crianças apresentaram reações emocionais de
valência negativa, como a tristeza e a raiva, diante de estressores hipotéticos que envolviam
situações sociais. Tais estressores variavam em termos de controlabilidade, desencadeando
respostas de coping primário e secundário, em sua maioria. Destaca-se o aumento no percentual
de coping secundário na parte incontrolável da história 3, indicando a percepção de mudança de
controlabilidade, bem como a presença de flexibilidade no coping. O coping antissocial também
aparece entre as estratégias das crianças e se destaca entre aquelas que apresentam mais erros
perseverativos. Conclui-se que, apesar das dificuldades comportamentais e da presença de erros
perseverativos, as crianças com TDAH conseguiram refletir sobre situações hipotéticas,
expressar suas emoções de tristeza e raiva, e evocar uma variedade de estratégias de coping.
Entretanto, indicadores de flexibilidade do coping se restringiram a somente uma das situações,
sugerindo a necessidade de mais estudos sobre a temática. Além disso, a associação entre as
dificuldades cognitivas e o coping antissocioal é relevante por sugerir caminhos para
intervenções centradas nas particularidades da criança com TDAH e de sua família.
