ADAPTAÇÃO E EVIDÊNCIAS PSICOMÉTRICAS DO “Student Evidence-Based Practice (S-EBPQ)” PARA O CONTEXTO BRASILEIRO

Nome: JOÃO PEDRO HULLE GOMES DE JESUS

Data de publicação: 27/03/2024

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
CLAUDIA PATROCINIO PEDROZA CANAL Presidente
FABIANA PINHEIRO RAMOS Examinador Interno
FABÍOLA RODRIGUES MATOS Examinador Externo

Resumo: O movimento da Prática Baseada em Evidências (PBE) representa uma evolução crucial no
setor de saúde, visando a integração das melhores evidências científicas com a experiência
clínica e as necessidades dos pacientes. A adoção efetiva da PBE depende de fatores como
treinamento, conhecimento, o ambiente organizacional e a predisposição dos profissionais de
saúde. A avaliação transdisciplinar desses aspectos é fundamental para identificar barreiras
e facilitadores. Em razão disso, esta dissertação focou na adaptação transcultural do Student
Evidence-Based Practice Questionnaire (S-EBPQ) para o contexto brasileiro. A adaptação
seguiu as etapas de tradução, síntese, avaliação por especialistas e um estudo piloto.
Posteriormente, foi realizada uma Análise Fatorial Confirmatória para validar a estrutura
interna do instrumento na amostra brasileira. Além disso, buscou-se levantar evidências de
validade externas do instrumento por meio de suas relações com as escalas de Adaptação
ao Ensino Superior (ESEA) e Satisfação com a Experiência Acadêmica (QAES). Neste
estudo, participaram 310 estudantes da área da saúde de universidades, majoritariamente
públicas (70,32%), com idades entre 19 e 63 anos (média de 25,14 anos), incluindo cursos
de enfermagem (41,93%), fisioterapia (24,51%), psicologia (22,58%) e medicina (10,96%),
sendo 80,32% do gênero feminino e uma maioria se identificando como branca (58,06%). A
análise dos dados, feita através do JASP 0.18.1, avaliou a precisão da versão brasileira do
S-EBPQ, encontrando coeficientes alfa de Cronbach e ômega de McDonald excelentes para
o constructo de forma geral (ômega = 0.92; alfa = 0.90; média = 5,30; DP = 0,81), indicando
alta confiabilidade. Já os valores dos fatores das dimensões foram: Factor 1 ( = 0.862, =
0.860), Factor 2 ( = 0.382, = 0.502), Factor 3 ( = 0.891, = 0.893), e Factor 4 ( = 0.747,
= 0.791), indicando alta confiabilidade na maioria dos fatores, exceto na segunda dimensão.
As correlações de Pearson revelaram fortes associações positivas entre a pontuação total do
S-EBPQ e suas subescalas, demonstrando consistência nas respostas. No entanto, a
correlação com a segunda dimensão foi mais fraca, sugerindo variações na sua relação com
o constructo geral. Correlações positivas fracas entre a escala S-EBPQ e variáveis
relacionadas ao ambiente acadêmico, como ESEA (r = 0.152, p < .01) e QAES (r = 0.273, p
< .001), foram observadas, indicando uma conexão menos direta, o que pode refletir a
complexidade da prática baseada em evidências ou a influência de fatores externos, como
experiências clínicas ou características individuais, sobre as pontuações. Esses valores
sugerem que, enquanto há uma relação linear positiva entre a escala S-EBPQ e as variáveis
ESEA e QAES, a força dessa relação é considerada fraca, apontando para a possibilidade
de que outras variáveis não examinadas neste estudo possam ter um impacto mais
significativo sobre as pontuações na escala S-EBPQ. Esses achados sublinham a
necessidade de abordar múltiplos aspectos ao avaliar a prática baseada em evidências entre
estudantes de saúde, apontando para a influência de diversos fatores na adoção dessa
prática além do conhecimento teórico. Como resultado, a S-EBPQ na versão brasileira é uma
escala de 21 itens com 4 dimensões que pode ser utilizada para avaliar a atitude e percepção
dos estudantes de saúde em futuros estudos.

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