Saúde Mental na Transição para a Maternidade: Bem-estar e Estratégias de Enfrentamento de Novas Mães
Nome: CAMILA NOGUEIRA BONFIM
Data de publicação: 30/03/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ALESSANDRA BRUNORO MOTTA LOSS | Examinador Interno |
| CAROLINE TOZZI REPPOLD | Examinador Externo |
| DORALÚCIA GIL DA SILVA | Examinador Externo |
| FABIANA PINHEIRO RAMOS | Examinador Interno |
| VALESCHKA MARTINS GUERRA | Presidente |
Resumo: A transição para a maternidade é um período de intensas mudanças psicossociais na vida
das mulheres. Considerando que esse período apresenta estressores específicos, a
utilização de estratégias de enfrentamento adaptativas beneficia a saúde materna. A
literatura aponta que intervenções psicossociais voltadas para a perinatalidade e
adaptação à maternidade demonstram benefícios para a promoção da saúde mental das
mães, assim como programas de intervenção em Psicologia Positiva (IPP) estão
associados a maiores níveis de bem-estar e saúde mental positiva. Neste sentido, o
objetivo desta tese é investigar estressores, estratégias de enfrentamento e saúde mental
positiva de mulheres brasileiras puérperas e em transição para a maternidade, criando e
analisando a influência de um programa de intervenção em psicologia positiva para esta
população. Para isso foram realizados quatro estudos. O Estudo 1 é uma revisão
integrativa da literatura, que visou avaliar os métodos e modelos teóricos utilizados para
a investigação do bem-estar associado a estratégias de enfrentamento, além de comparar
os resultados obtidos pelos estudos selecionados. Foram pesquisadas 5 bases de dados
(Scielo, PsycInfo, Periódicos CAPES, BVS, Pubmed) para a seleção de artigos científicos
com os descritores “Psychological well-being” ou “Subjective well-being” ou “Positive
mental health”; E “Coping”; E “parent*” ou “mother*”. Na amostra final, foram incluídos
29 artigos, que priorizaram amostras W.E.I.R.D., com predomínio de abordagens
quantitativas e amostras maternas. Os resultados indicam que suporte social e estratégias
adaptativas de enfrentamento, como reavaliação positiva e enfrentamento focado em
problemas, protegem e promovem o bem-estar psicológico das mães. O Estudo 2 é um
estudo quantitativo, com o objetivo de adaptar e apresentar as propriedades psicométricas
iniciais do Responses to Stress Questionnaire – New Motherhood (RSQ-NM) no contexto
brasileiro. Este instrumento avalia três fatores de coping (Engajamento de controle
primário, Engajamento de controle secundário e Desengajamento) e dois fatores de
respostas involuntárias ao estresse (Engajamento involuntário e Desengajamento
involuntário). A versão final do instrumento foi aplicada em uma amostra de 162 mães,
com idades entre 19 e 45 anos (M = 32, 7; DP = 4,89), cujos bebês estavam entre 1 e 12
meses de idade (M = 5,94; DP = 3,59). Os resultados de uma Análise Fatorial
Confirmatória apontaram que o modelo de cinco fatores proposto teoricamente foi
considerado adequado nesta amostra, 2/df = 1,48; CFI = 0,98; TLI = 0,97; RMSEA =
0,055. Os cinco fatores confirmados também apresentaram correlações esperadas com
sintomas depressivos, sintomas de ansiedade e de estresse, conforme avaliados pelo
DASS-21. Em seguida, no Estudo 3, de caráter exploratório-descritivo utilizando método
quantitativo, teve como objetivo investigar as estratégias de enfrentamento utilizadas no
puerpério e descrever sua relação com o bem-estar. Utilizando a mesma amostra do
Estudo 2, essas análises contaram com 162 mães (Média de idade 32,7). O questionário
utilizado foi composto por questões sociodemográficas e pelos seguintes instrumentos:
Escala de Saúde Mental Positiva; RSQ - New Motherhood Parent Self-Report – Versão
Brasileira; DASS-21 - Depression, Anxiety and Stress Scale - Versão Brasileira. As mães
foram classificadas em grupos de acordo com os escores da Escala de Saúde Mental
Positiva. O grupo de Florescimento apresentou menores níveis de sofrimento psicológico
e utilizava estratégias mais adaptativas de coping, enquanto o grupo caracterizado como
Definhamento apresentou maiores níveis de sofrimento e estratégias maladaptativas ou
respostas involuntárias. Finalmente, o Estudo 4 apresenta a construção e aplicação piloto
de uma proposta de intervenção em Psicologia Positiva (IPP), com aplicação grupal (6
sessões virtuais), tendo como objetivo avaliar seu conteúdo e estrutura. Além disso,
objetivou-se verificar se a intervenção produz efeitos no bem-estar e no enfrentamento
das mulheres a curto prazo. Participaram do piloto quatro mães com bebês entre 1 e 6
meses, que responderam um questionário de pré-teste, com os mesmos instrumentos do
Estudo 3. Após as seis sessões do piloto, os mesmos instrumentos foram aplicados
novamente e analisados mediante o Índice de Mudança Confiável do Método JacobsonTruax (Método JT). Feedbacks qualitativos também foram analisados mediante uma
análise de conteúdo temática. Os resultados quantitativos apresentaram grande
variabilidade individual, enquanto os resultados qualitativos sugeriram que a intervenção
contribuiu para o desenvolvimento de uma realidade compartilhada, reduzindo
sentimentos de isolamento e fornecendo um espaço de acolhimento sem julgamentos para
a reconstrução da identidade das mulheres. Conclui-se que a intervenção proposta
apresenta resultados promissores, que devem ser avaliados em outros grupos. Limitações
importantes dizem respeito principalmente à adesão das mulheres aos grupos.
Coletivamente, os resultados desta tese desafiam a visão patologizante do pós-parto,
frequentemente presente nos sistemas de saúde, indicando que o pós-parto deve ser
concebido como uma janela crítica para o crescimento psicológico, e não apenas como
um período de recuperação ou cuidado com o bebê.
